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sábado, 10 de abril de 2021

Vamos falar sobre Políticas Públicas?


Ontem, dia 09 de abril de 2021, o site "Brasil de Fato" publicou que o IBGE terá uma redução de 96% para produção de pesquisa, o que trará muitos prejuízos no âmbito econômico, político e social.

Isso porque o IBGE serve de base para os gestores de políticas públicas e, sem ele, nossas políticas públicas serão ainda piores, afinal não teremos indicativos para que medidas possam ser estabelecidas, restabelecidas ou criadas para o benefício da população. 

Por falar em medidas, é necessário que vejamos como nosso país padece de políticas públicas principalmente no âmbito social que garante maior qualidade de vida para muitos que não possuem o mínimo para viver. 

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) publicada em 2020, os serviços básicos de saneamento não são ofertados para 39,7% dos municípios brasileiros.

Esse fato representa a incapacidade de gestão de políticas públicas do nosso país pois como consta na Lei número 11.445/2007 da  Constituição Brasileira, todo brasileiro é assegurado a ter saneamento básico. 

Infelizmente, esse não é o único problema que observamos no Brasil. Quando falamos em educação, que também é um direito assegurado na Constituição, podemos constatar pelos índices um péssimo desempenho acentuando ainda mais os muros que separam os alunos das escolas públicas e particulares. 

Essa segregação não para no âmbito escolar, quando pensamos em segurança, observamos claramente a diferença existente entre bairros nobres e periféricos. Isso porque nos bairros nobres, pavimentados e geralmente afastados dos grandes centros urbanos, acaba recebendo uma segurança completamente diferente do que vemos nas favelas de nosso país em que jovens estudantes são mortos apenas por "parecerem bandidos". 

Os maiores bandidos do nosso país são àqueles que desviam dinheiro público, que não utilizam seus cargos corretamente e, ao invés de trabalharem para o povo, trabalham para se beneficiarem, fazendo com que as políticas públicas fiquem em segundo plano e as "politicagem" fique sempre em primeiro plano. 

IBGE:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/28326-quatro-em-cada-dez-municipios-nao-tem-servico-de-esgoto-no-pais

domingo, 5 de março de 2017

TIPOS DE CAPITAL SEGUNDO PIERRE BOURDIEU

O sociólogo francês Pierre Bourdieu foi um dos mais reconhecidos e aclamados pesquisadores do século XX. Seus estudos e reflexões tornaram-se referência na Antropologia, na Sociologia e em diferentes áreas do saber como a arte, a política, a literatura e até a educação. Suas análises primorosas fazem com que possamos enxergar as estuturas desse mundo de uma forma crítica e reflexiva, estabelecendo conexões e compreendendo conceitos complexos.

Um destes conceitos trabalhados por Bourdieu tange nas classes sociais e na distribuição de renda. Para o pesquisador, a posição que ocupamos no espaço social depende dos capitais que possuímos. No caso, existe uma distinção explicitada pelo autor a respeito dos diferentes tipos de capital.

O primeiro deles é o capital econômico que é responsável pelos recursos financeiros; o segundo é o capital social que seria a capacidade de estabelecer relações sociais; o terceiro seria o capital cultural, no caso seria o que herdamos de nossa família ou o que é obtido no sistema educativo e por fim o capital simbólico que relaciona-se com a honra, a autoestima e até o prestígio.

Todos esses tipos de capitais explicitados por Bourdieu podem ser relacionados com a reportagem escrita por Cristina Delgado do jornal El País. No caso, o capital econômico pode ser representado no setor de bancos de investimento. Já o capital social pode ser observado nos candidatos a vaga que possuem vantagens cuja a adequação é associada especialmente com os indicadores de status da classe média ou alta. Em relação ao capital cultural, pensam os méritos acadêmicos quando frequenta uma universidade de elite. Por fim, o capital simbólico é representado inclusive pela maneira de se vestir.

Outro aspecto trabalhado pelo autor que também pode ser relacionado com o texto é em relação a violência simbólica, que no caso seria:

Violência simbólica, violência suave, insensível, invisível as suas próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento, ou, mais precisamente, do desconhecimento, do reconhecimento, ou em última instância, do sentimento. Essa relação social extraordinariamente ordinária oferece também uma ocasião única de apreender a lógica da dominação, exercida em nome de um principio simbólico conhecido e reconhecido tanto pelo dominante quanto pelo dominado, de uma prioridade distintiva, emblema ou estigma, dos quais o mais eficiente simbolicamente é essa propriedade corporal inteiramente arbitrária. (BOURDIEU, 2000, p. 7-8)


Essa violência simbólica poderia ser visualizada na forma da vestimenta dos candidatos a vaga de bancos de investimento. Como funcionários, ex diretores e até recrutadores afirmaram que o modo de se vestir e se portar impera, provocando a exclusão de diversos candidatos.

Tal tipo de violência está presente a todo instante em nossa sociedade, estipulando como devemos nos vestir, nos portar, falar e até dar risada. Apesar de para muitos parecer um “grande exagero” ou até uma “teoria da conspiração”, podemos observar diferentes casos que demonstram como esse tipo de violência que discrimina, repreende e ofende as pessoas faz parte do no dia-dia.

Outro exemplo, não mais relacionando a cor dos sapatos mas sim o seu estereótipo do corpo das mulheres foi divulgado dia 15 de Fevereiro pela  OIT (Organização Internacional do Trabalho) que revelou que a aparência física é considerada um fator importante de discriminação na busca por um emprego, principalmente para as mulheres. No caso o excesso de peso pode ser considerado um grande impecilio para o mercado de trabalho. Segundo a OIT 30% das mulheres se sentiram discriminadas pelo excesso de peso enquanto 13% dos homens reclamaram do mesmo problema.

A mulher é mais atingida pelo fato das diferentes violências simbólicas serem representadas em diferentes instancias como na “inocente” imagem das princesas da Disney em que mostram como a mulher deve ser, falar e se portar. Afinal a mulher deve se portar como uma princesa ou até no símbolo bíblico representada por Eva em que a culpa de todos os pecados do mundo é carregado nas costas de uma mulher.


Com isso, observa-se o quanto vivemos repletos de símbolos e significados que fazem com que muitas vezes nem percebemos a complexidade de fatos e escolhas como a de um “simples” sapato.

REFERÊNCIAS:
http://www.infoescola.com/biografias/pierre-bourdieu/
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003a.
 BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 6. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. http://articulacaosindical.com.br/conjuntura/aparencia-fisica-e-motivo-de-discriminacao-para-30-de-desempregadas-45a3/

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O CONTROLE E A “DITADURA DA FELICIDADE”


Vivemos em uma época denominada por alguns teóricos como “ditadura da felicidade”. Tal “ditadura” nos é imposta fundamentalmente pela mídia que faz com que acreditemos que temos que ser felizes a todo custo. Existem diversas propagandas que instituem essa felicidade como sendo lema de suas campanhas publicitárias.

O slogan “Abra a felicidade”  da empresa Coca-Cola, a campanha “Lugar de gente feliz” do Pão de Açúcar, os diversos comerciais do SBT que afirmam ser “A TV mais feliz do Brasil”, o marketing “vem ser feliz” da Magazine Luiza são alguns dos diversos exemplos de uma publicidade que nos ordena ser feliz.

Como se não bastasse, a própria população em geral, tenta, a todo custo, afirmar e reafirmar essa felicidade em suas redes sociais. Fazem questão de publicar “selfies” sempre sorrindo, pratos de comidas, fachadas de restaurantes e claro todo o luxo de sua vida, mesmo que, muitas vezes, o que é publicado não condiz com sua classe social.

Essa preocupação em mostrar para o restante do mundo que possui uma vida perfeita, faz com que essas pessoas virem escravas dessa ilusão de felicidade e acabam sendo reféns desse sistema conhecido como “didatura da felicidade”. Por isso, cada dia mais jovens, adultos e idosos não sabem mais quem realmente são.

O filme “V for Vendetta (2005)”[1] trás muitas reflexões acerca do que as pessoas tentam transmitir. Em uma das passagens do filme o ator Hugo Weaving, que interpreta V diz: “Você usa tanto uma máscara que, acaba esquecendo quem você é.”

Esse fato de “esquecermos” quem realmente somos é inerente ao nosso sistema, e, utilizamos da tal “felicidade” como lema de vida, como forma de definição. Em relação a essa tão buscada “felicidade”, Freud afirma que:  “O que em sentido estrito se chama “felicidade‟ corresponde à satisfação mais repentina de necessidades retidas com alto grau de êxtase e, por sua própria natureza, somente é possível como um fenômeno episódico”. (p. 76)

Por isso, para Freud, a “felicidade” que vem acompanhada de um “fenômeno episódico”, é muito mais difícil de ser alcançada do que a “infelicidade” que provém de diversas fontes como: do mundo externo, do corpo, e dos relacionamentos humanos. Entretanto, essa infelicidade foi escolhida pelo homem que preferiu viver em segurança do que viver ao seu bel prazer.

Caso este homem escolhesse viver livre da ação da repressão seria uma “besta selvagem”. A descrição do ser humano para Freud é de que:
[...] não é um ser manso, amável, somente capaz de se defender quando o atacam. É lícito atribuir a sua dotação pulsional uma boa cota de agressividade. Em conseqüência, o próximo não é somente um possível auxiliar e objeto sexual, mas também uma tentação para satisfazer sua agressão, explorar sua força de trabalho sem ressarci-lo, usá-lo sexualmente sem seu consentimento, dispor de seu patrimônio, humilhá-lo, lhe infligir dores, martirizá-lo e de matá-lo. (p.35)

Por isso que, para Freud, é imprescindível que a cultura exija o “sacrifício pulsional”. Tal sacrifício pode ser observado em alguns meios que tentam diminuir o “ônus dos sacrifícios instintuais”. Um deles é essa própria intensa e busca pela felicidade, que faz com que acreditemos que a mesma seja possível de ser alcançada.

A forma da felicidade ser alcançada é acompanhada por regras inseridas, atualmente, no sistema capitalista em que vivemos. Regras sociais de como devemos ou não nos comportar são impostas. A composição “Admirável Chip Novo (2003)” composta por Pitty, tece uma crítica em relação a esse sistema que não é orgânico e sim “programado” e que precisa ser reinstalado para que as pessoas as sigam as mesmas normas.

Tais normas, influem até na nossa própria aparência e muitas vezes acarreta problemas e distúrbios de saúde seríssimos. Tanto mulheres quanto homens fazem de tudo para se aproximarem do padrão estipulado pela mídia, mesmo que isso possa ser prejudicial para sua saúde. Deixam de comer, fazer intervenções cirúrgicas perigosas e muitas vezes ficam reféns de problemas psicológicos graves como anorexia, bulimia que podem levar a morte.

Assim, ao mesmo tempo que tais normas e padrões sociais fazem com que controlemos os nossos reais instintos, como discutido por Freud, elas fazem com que a cada dia nos asfastemos ainda mais do nosso verdadeiro eu, do que realmente somos ou almejamos ser. Não sabemos mais as nossas vontades, os nossos anseios e desejos, não sabemos mais quem somos afinal a cada dia estamos mais parecidos com nossos semelhantes.



[1] O filme se passa no Reino Unido em um futuro próximo. Sob o pretexto de vários atos terroristas, um governo totalitário é eleito para o Parlamento, o qual é comandado pelo chanceler Adam Sutler (John Hurt), que promete para salvar o país dos terroristas. O único problema é que o povo deve dar boa parte de sua liberdade para obter um pouco de segurança. O governo logo se torna cruel, corrupto e opressivo. Impulsionado por uma vingança pessoal, um misterioso indivíduo que se esconde atrás de uma máscara e se identifica apenas como V (interpretado por Hugo Weaving) chega para assumir a causa da liberdade. Ele usa uma máscara de Guy Fawkes para cobrir o rosto e tem grandes habilidades com facas.


REFERÊNCIAS: 

FREUD, Sigmund (2004a). El malestar en la cultura. In: Obras completas: el porvenir de una ilusión; el malestar en la cultura y otras obras (1927-1931). 2 ed. Tradução de José L. Etcheverry. Buenos Aires: Amorrortu, p. 76.
PITTY. Admirável Chip Novo. São Paulo: Deckdisc, 2003. 1CD. Estéreo (39min e
15s).

domingo, 22 de dezembro de 2013

Aspectos econômicos, políticos e culturais que levaram os países industriais a dividirem o mundo em coloniais e áreas de influência no período entre 1875 e 1914




Entre os anos de 1875 e 1914 há um surgimento de um tipo específico de Império. Cria-se uma dinâmica que vai interligar por laços firmes o centro do capitalismo e as outras áreas, havendo uma questão puramente de dominação. Hobsbawm quer então encontrar nexos para esse evento que “estava na boca do mundo”.
O que auxiliou a Europa para tal domínio foi a exploração ultramarina, afinal os países capitalistas além de explorarem as matérias primas das colônias ainda tinham um mercado para comercializar seu produto final. Por isso a divisão do globo entre as potencias, tinha um caráter econômico. Outro fato que contribuiu para a expansão colonial foi a procura de mercado fazendo com que um certo número de economias desenvolvidas sentisse simultaneamente a necessidade de novos mercados.
Tais fatores fizeram com que esse novo imperialismo se tornasse um subproduto natural de uma economia internacional baseada na rivalidade entre várias economias industriais concorrentes, e “que foram intensificada pela pressão econômica ocorrida nos anos 1880” (p. 101)  Porém tais fatos não pode ser analisado apenas pelo âmbito econômico. 
Isso porque, os motivos econômicos que levaram os europeus à adquirirem territórios coloniais estão ligados diretamente com a ação política, como por exemplo o protecionismo, que nada mais é que um tipo de economia que opera com o auxilio político.
Por fim, no âmbito cultural o autor afirma que através do capitalismo o contato das potencias europeias com regiões longínquas do planeta se tornou intenso, e isso fez com que houvesse um choque e ao mesmo tempo uma troca de culturas, muito mais do colonizador com o colonizado. 

Referência:
Eric J. Hobsbawm. A Era dos Impérios, 1875-1914. Tradução: Sieni Maria Campos e Yolanda Steidel de Toledo. Revisão técnica: Maria Celia Paoli. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 


teste

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